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Onde fica a auto-estima, quando a vida nos prega uma rasteira?

Onde fica a auto-estima, quando a vida nos prega uma rasteira?
Cuidados de Pele
Onde fica a auto-estima, quando a vida nos prega uma rasteira?

Rita Costa é maquilhadora. Trabalha em televisão, cinema, moda e publicidade.
Faz voluntariado no IPO, tendo há três anos criado uma iniciativa dirigida a mulheres vítimas de cancro e a mães de crianças internadas.


Como surgiu esta iniciativa?


Desde os 16 anos que faço voluntariado, mas já estava há dois anos parada. Essa era portanto uma ideia que já tinha em mente há algum tempo. Um dia, em trabalho, aconteceu maquilhar uma criança com cancro para uma sessão fotográfica. Depois de fazer aquilo, pensei “É isso mesmo”. Fui para casa, procurei os contactos do IPO e enviei um mail à responsável pelo voluntariado explicando a minha ideia, aquilo que eu gostava de fazer. Na altura, a ideia era apenas trabalhar com mulheres vítimas de cancro, dando dicas de beleza e de maquilhagem. Dois dias depois, responderam-me a dizer que gostaram muito da ideia e que não existia nenhuma iniciativa do género. Fiquei profundamente surpreendida quando percebi que isto ainda não se fazia… achei inacreditável.







Começaste por dar workshops a mulheres vítimas de cancro… 


A primeira ação foi um sucesso, comecei com 10 mulheres e acabei com cerca de 22. Nunca me aconteceu alguém abandonar a sessão a meio, mesmo quando estão mais reticentes… Pelas razões óbvias, ali ninguém faz fretes.


Como surge a oportunidade de colaborares também com a Pediatria?


No dia seguinte à primeira ação com mulheres, fui contactada pela Pediatria e desafiaram-me a fazer o mesmo com as mães de crianças internadas. A maioria delas tem muito tempo livre, não sai dali. Depois das mães, vieram as próprias crianças, doentes, como as que estão em isolamento. Regra geral, a partir dos 9-10 anos já se interessam por maquilhagem e mostram-se receptivas à minha abordagem. As adolescentes participam quase todas, adoram ser maquilhadas. De alguma forma, fá-las esquecerem-se de tudo o resto, nem que seja por alguns segundos. A equipa que supervisiona o voluntariado disse-me logo que se ficam até ao fim é porque estão mesmo a gostar.







E as mães das crianças internadas, como é que reagem à tua presença?


É engraçado… ao contrário do que aconteceu com as mulheres que são, elas próprias, vítimas de cancro, eu achei que não iria encontrar tanta receptividade por parte das mães que lá estão para acompanharem os filhos… porque cuidarem-se poderia levá-las a sentirem-se culpadas.
A verdade é que ali encontrei aquelas mulheres que continuam a tratar de si – sobretudo as mais novas, que são mais vaidosas -, mas também as que descuram completamente o seu visual. Estão mesmo em baixo, sem força para nada. O meu grande objetivo é que cuidem delas, começando pela pele. Mas depois, o que acontece é muito mais do que isso. Elas acabam por fazer daquele momento um espaço de partilha, onde desabafam umas com as outras e trocam experiências.


O teu papel passa, portanto, por ajudar essas mulheres a amarem-se na sua pele. É nesse contexto que surge a parceria com a L’Oréal? 


Sim, quando apareceu a oportunidade de fazer estas ações de voluntariado, eu não tinha sequer material para tanta gente, nem para maquilhar, nem para oferecer. Pedi logo apoio à L’Oréal, porque já tinha trabalhado com a marca e tinha alguns contactos. Disseram que sim no primeiro telefonema, já lá vão três anos. É um importante contributo para as ações que decorrem na Pediatria. A L’Oréal fornece os produtos para os workshops e ainda dá cremes, produtos de limpeza e de maquilhagem para oferecer às mães das crianças internadas. Uns miminhos, que fazem diferença para quem está naquela situação…


O que é que esta experiência acrescenta aos teus dias?


Eu sei que é um cliché, mas é mesmo verdade que “recebo muito mais do que aquilo que dou”. Saio do IPO a sentir-me muito bem comigo própria porque proporcionei bons momentos a alguém que está a viver um mau momento.
Por outro lado, para mim é o aliar de duas “coisas” que adoro: beleza e partilha.
Mas como é que lidas com os momentos mais delicados ou duros?
Não é fácil. Custa-me particularmente quando estou a fazer uma ação na sala de quimioterapia, onde várias mulheres estão a fazer quimioterapia. Ali o ambiente é duro. Já sei que algumas delas podem estar tristes, mal dispostas, com as emoções à flor da pele… é normal. A regra número 1 para alguém que faz este tipo de voluntariado é não se ir abaixo. Já me aconteceu duas ou três vezes, mas já sei o código: digo que vou só à casa-de-banho, choro 30 segundos e volto, como se nada se tivesse passado. Vamos aprendendo a lidar com a realidade à nossa volta. Por exemplo, já sei que não devo perguntar onde está determinada doente, porque ela pode já não estar… por isso, mais vale simplesmente não perguntar.


Recuando um pouco, de que forma o voluntariado entrou na tua vida?


Sempre tive esta coisa de partilhar e cuidar dos outros. Faz parte de mim. Por exemplo, quando havia algum amigo que estava doente, era eu que ia fazer companhia e tomar conta dele. Tenho mesmo gosto nisso. Acontece que, um dia, tinha uns 16 anos, uma amiga foi inscrever-se numa associação como voluntária e eu fui com ela. Gostei tanto que acabei também por ficar. Era uma associação dirigida a jovens e crianças em risco. Desde então, o voluntariado faz parte da minha vida.







Como concilias o voluntariado com todas as outras obrigações e solicitações?


Arranja-se sempre tempo. Para começar, reservo as datas chave. Nunca marco nada para o dia da mulher, o dia da mãe, o dia da criança e outras datas importantes. No resto do ano, vamos conciliando agendas. Além das ações, participo ainda com regularidade em formações e palestras para aprender a lidar com o doente, o que é fundamental.
Uma coisa que eu sinto sempre é que, cada vez que vou, quero sempre voltar. O frustrante é saber que tenho de lidar com isso, para o meu próprio bem. Apetecia-me ficar ali, o dia inteiro, todos os dias, mas infelizmente não é possível…



Por: Maria Capaz

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